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Sobre MÉTIS
Metis é uma palavra grega antiga. Homero a usava como epíteto para Odisseu — chamava-o polymetis, “o de muitas astúcias”. Não era força, não era conhecimento científico, não era virtude moral. Era a inteligência prática de quem lê a situação em movimento e escolhe o instrumento certo com a informação incompleta que tem.
Os gregos a consideravam uma forma de inteligência tão importante quanto a filosofia. Mas ela foi apagada da tradição ocidental quando Platão e Aristóteles privilegiaram formas mais abstratas de saber: episteme, o conhecimento científico; sophia, a sabedoria filosófica; techne, a habilidade técnica. Metis, a astúcia prática do navegador e do estrategista, ficou de fora do cânone.
Em 1998, um antropólogo de Yale chamado James C. Scott publicou um livro chamado Seeing Like a State. No capítulo 9, ele recuperou o conceito de metis para explicar por que grandes projetos tecnocráticos modernos fracassam. A tese: sistemas burocráticos querem o mundo legível, padronizado, mensurável. Mas o conhecimento que realmente faz as coisas funcionarem — do agricultor que conhece o solo, do operário que sabe quando a máquina vai falhar antes de ela falhar, do médico que suspeita do diagnóstico sem conseguir explicar por quê — esse tipo de inteligência não cabe em planilha. E quando o sistema substitui metis por protocolo, o resultado é fracasso previsível.
Essa observação tem 25 anos. Se aplica com precisão arrepiante ao que está acontecendo com inteligência artificial nas empresas hoje.
O que esta publicação é
MÉTIS é uma newsletter sobre decisão sênior em tempos de IA.
Todo domingo à noite, um ensaio curto — cerca de 1.500 palavras — sobre o tipo de inteligência que a IA não substitui e que toda grande decisão ainda depende de alguém exercer. Sobre o que os gregos sabiam e os comitês modernos esqueceram. Sobre padrões que acontecem no mercado brasileiro e que raramente são nomeados.
Sem playbook. Sem hack. Sem hype. Sem lista de ferramentas, sem “cinco maneiras de”, sem promessa de transformação. É ensaio, não tutorial. É observação, não manual.
Os temas orbitam uma única pergunta: como se decide bem em um mundo onde a técnica está commoditizada, a informação é infinita, e a pressão para usar IA é universal?
A resposta curta é que se decide como sempre se decidiu — com julgamento, repertório, leitura de contexto e coragem. A resposta longa leva 100 ensaios.
Quem escreve
Mário Almeida. 20 anos liderando tecnologia e estratégia em empresas como TOTVS, Grupo SEB e XP Investimentos. Fundador com exit. Co-fundador da ABStartups. Professor na Alura Empresas. Já esteve dos dois lados da mesa em decisões grandes sobre tecnologia em empresas brasileiras — dentro, como executivo; fora, como advisor.
Hoje escreve MÉTIS no tempo que sobra do trabalho principal, que é advisory independente em IA para CEOs de empresas brasileiras de capital nacional através da DAATIUM.
Base em Campinas, São Paulo.
Para quem esta publicação é
Para CEOs, fundadores, conselheiros, executivos seniores e líderes de empresas brasileiras que estão tomando decisões grandes sobre IA e não têm com quem conversar sobre elas em profundidade.
Se você se encaixa nesse perfil, MÉTIS vai te dar algo uma vez por semana: uma ideia que você pode levar para a próxima reunião de comitê, para a próxima conversa com o fornecedor, para a próxima decisão que vai custar sete dígitos. Se você não se encaixa, é possível que os ensaios ainda te interessem — não é publicação fechada — mas o leitor implícito é o executivo sênior em situação de decisão real.
Como funciona
A newsletter é gratuita. Sem plano pago, sem paywall, sem conteúdo exclusivo para quem paga. Todos os ensaios são abertos.
Isso provavelmente muda no futuro. Por enquanto, a prioridade é construir leitura, não receita.
Se você quiser responder um ensaio — com concordância, discordância, dúvida ou história própria — basta apertar responder. Os emails chegam diretamente na caixa do autor. Todos são lidos. A maioria é respondida.
Uma nota sobre o trabalho de fora da MÉTIS
O autor dessa publicação dirige a DAATIUM, uma prática de advisory independente em IA para empresas brasileiras de capital nacional entre R$200M e R$5B de faturamento. MÉTIS não é o braço de marketing da DAATIUM — é uma publicação editorial com vida própria. Mas as duas coisas compartilham a mesma tese: que IA é amplificador, não motor, e que o trabalho sério de adoção começa muito antes da ferramenta.
Se você é CEO de uma empresa dentro desse perfil e quer conversar sobre decisão de IA no seu contexto específico, o caminho é pelo site da DAATIUM, não pela caixa de email da MÉTIS.
MÉTIS é uma publicação independente. As opiniões são do autor e não representam nenhuma das empresas onde ele trabalhou ou trabalha.


